O
prefeito Marcelo Crivella visitou na manhã desta quarta-feira o Jardim
Maravilha, em Guaratiba, na Zona Oeste. Ele ressaltou que o local é uma
invasão, "sem obras" da prefeitura, e descartou decretar estado de
emergência na cidade. Depois de classificar as chuvas como "atípicas",
durante a terça-feira, ele atribuiu ao aquecimento global o alto volume
de água inesperado pelos órgãos municipais e fez um paralelo com
escândalos de corrupção.
— Não, nós estamos passando pela
emergência. Estamos enfrentando problemas seriíssimos de aquecimento
global, nunca choveu tanto em tão pouco tempo. Além de tudo isso,
tivemos o maior escândalo de corrupção do país. Somado é uma perfeita
tempestade — afirmou.
A localidade está inundada após ser atingida
pelas chuvas torrenciais que começaram na cidade na noite de
segunda-feira e durante toda a terça-feira. O Corpo de Bombeiros
encontrou um homem morto, ainda não identificado, em uma ponte na
Avenida Barão de Cocais, afogado pelo alto nível da água. De acordo com
Crivella, o rio no Jardim Maravilha foi dragado pela última vez há 23
anos. Ele prometeu retomar a dragagem, que se estende por cerca de 2,5
quilômetros:
— Começamos as obras hoje, com duas máquinas. Precisamos de recursos. Peço a ajuda do governo federal.
O
prefeito apelou, repetidamente, ao governo federal, pedindo que o
ministério do Desenvolvimento Regional assine com o Município um
programa chamado de "PAC das Enchentes e PAC das Encostas". O ministério
do Desenvolvimento Regional (MDR) informou, por meio de nota divulgada
nesta terça-feira, que a Prefeitura do Rio tem disponível para
realização de contenção de encostas cerca de R$ 110,5 milhões, do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas não o utilizou por
falta de apresentação de projetos complementares de execução. O montante
expira no próximo no dia 30 de junho.
Em meio cenário de completa
destruição em Jardim Maravilha, Crivella afirmou que a cidade vai
superar os problemas com "bom ânimo". Adiante, em entrevista com os
jornalistas, o prefeito comentou que "o sol está brilhando no céu" e,
enfim, "o Rio de Janeiro vai sair da crise".
Em meio cenário de
completa destruição no Jardim Maravilha, Crivella afirmou que a cidade
vai superar os problemas com "bom ânimo". Adiante, em entrevista com os
jornalistas o prefeito comentou que "o sol está brilhando no céu" e "o
Rio de Janeiro vai sair da crise".
Crivella afirmou que a Avenida Niemeyer e o Alto da Boa Vista podem ser reabertos ainda nesta quarta.
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Com esse sol que paira pela cidade e se o tempo melhorar, no fim do dia
devemos liberar a Avenida Niemeyer e o Alto da Boa Vista. Não há mais
bloqueios nessas vias. O que ainda ocorre é que equipes da Geo-Rio estão
analisando o estado desses locais para verificar se há riscos de
deslizamentos. Até as 18h as carros já devem poder circular por essas
vias.
O prefeito falou ainda sobre os alagamentos na Avenida
Borges Medeiros, na Lagoa, na Zona Sul Rio. Segundo ele, até o meio do
dia toda a água já deve ter sido drenada no local.
Equipes da prefeitura só chegaram nesta quarta
Os
moradores do Jardim Maravilha afirmam que equipes da prefeitura só
chegaram ao local na manhã desta quarta-feira, quase 36 horas depois do
temporal que atingiu a cidade. De acordo com a moradora Maria Eunice, de
66 anos, toda vez que chove na região, os valões enchem e as casas
acabam inundadas.
— Nós tivemos ajuda de moradores para sair das
nossas casas. A prefeitura só chegou na manhã de hoje. Perdi tudo. A
água foi até a minha cintura.
Outro morador da região, Sergio
Murilo dos Santos, 57 anos, não consegue entrar em casa diante da
quantidade de água que ainda tem na sua casa.
— Perdi tudo. Tive
que sair com a minha família e abandonar a minha casa, para poder
sobreviver. Por enquanto não veio ninguém da prefeitura falar comigo
sobre essa situação. Moro aqui há cerca de seis anos, sempre que tem
temporal isso ocorre.
Glaucia Trajano da Silva Mazza Panzariello,
41 anos, conta que a força da água foi tanta que o portão de ferro da
sua casa foi arrancado.
— Ainda não consegui contabilizar os estragos, mas foram muitos.
Maria Aparecida de Souza Braga, 54 anos, contou que o filho só conseguiu retornar para casa na manhã desta quarta-feira.
— Ele foi para a faculdade e só conseguiu voltar hoje pela manhã. Ficou preso. Graças a Deus, ele está bem.
A casa de Andrea Cristina dos Santos Silva, 43 anos, também ficou totalmente alagada.
—
Moro aqui há 14 anos e sempre que chove é assim. Há nove anos perdi
tudo com o alagamento. Agora, ocorreu de novo. Tenho duas crianças
pequenas em casa. Fico desesperada. Mesmo com o Crivella vindo aqui
hoje, não acredito mudança. Estamos largados.